A ciência de que em algum momento a vida vai embora e, nós, viramos massa inerte, cuja presença pode-se estender-se por mais algum tempo a depender das condições do morto; mas cuja vida não está mais lá é libertadora.

Não falo disso com nenhum sentido tanatofílico – palavra que aprendi nas leituras sobre a vida -, nem tampouco no sentido de admirar que a vida está se indo. Digo tão somente sob a ótica de quem sabe que, sim, por julgar as tantas vidas que vieram antes de mim, a julgar pela amostra desta ampla população, acuso a ciência absoluta e inequívoca, a vida um dia se vai. O que eu não tenho a menor ideia, porém, é pra onde vai e se é que essa vida que vai, vai para algum lugar, isso eu não sei. Entretanto, sim, sei que essa vida que me tem, um dia, se vai.

Dito isso, para que a pressa? De que importa se o café está meio amargo? Qual a relevância daquele erro que eu cometi ali, ou acolá? São o amargo do ou a relevância do erro ocorrido suficientes para mudar o curso da vida? Tem noção que em algum momento essa vida – que precisa valer a pena – se vai? Experimente o amargo, conheça-o também; aprenda com o erro cometido, mas nenhum destes – ou de outros episódios tantos não escritos aqui – precisa ser inconveniente algum.

Lembro dos que já se foram, e já não podem mais ter um cafezinho pela manhã ou sequer cometer erros -nem acertos a esse ponto, embora haja sempre o que descobrir. Mas nada a ser feito, não há mais ação. Que diriam eles sobre a relevância destas distrações da vida? Se estamos aqui é para que haja ação! É disso, concluí, que se trata a ciência da morte: um incentivo para a ação.  Por que, caro leitor, como aprendi com Sarah, “embora quem quase morra esteja vivo, quem quase vive já morreu”.

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